As redes sociais constituem espaço exímio do jornalismo e da publicidade, revolucionando o modo de se comunicar e de fazer política.
Por Rafael Buarque Montenegro
Com um sorriso no rosto, foi assim que Rui Dantas nos recebeu após o término do primeiro dia de programação #ECOM - Encontro de Comunicação e Mídia da CESREI, realizado no Centro de Extensão José Farias da Nóbrega da Universidade Federal de Campina Grande.
Simpático e atencioso, mesmo com a hora avançada, Rui conversou conosco, sem pressa, e durante dez minutos de conversa, passeamos pelo mundo da publicidade política, do jornalismo e da reconfiguração dessas práticas pelas redes sociais tão presente na contemporaneidade.
Em sua palestra “A imagem da Política Contemporânea”, Rui Dantas abordou a questão atualíssima do “boom” das redes sociais. Dados de agosto de 2011, mais de 80% dos usuários de internet no Brasil têm seus perfis em redes sociais. Isso gera um novo mercado publicitário com um potencial altíssimo, tanto para o marketing comercial, quanto para o marketing político.
Abordando as estratégias vitoriosas da I2Inteligência em campanhas publicitárias, ele mostrou a necessidade dos meios jornalísticos e publicitários estarem conectados e interligados com as novas mídias.
Na nossa conversa, Rui pode abordar alguns temas específicos do jornalismo e de nossas práticas políticas atuais. Confira abaixo entrevista na íntegra.
Coletiva: Você acha que existe o culto ao negativo (violência, corrupção, miséria, etc.) na nossa cultura midiática?
Rui Dantas: Existe sim. Infelizmente, o silêncio (entenda qualidade) é caro. Um bom restaurante, silencioso, é caro. Um belo espetáculo, ambiente silencioso, é caro. A violência, em minha opinião, existe por causa do sistema. O sistema se beneficia da violência. E os meios de comunicação também. O que vende hoje na mídia? Os programas policiais hoje têm uma grande audiência por quê? Porque vendem a desgraça. E as pessoas vão se acostumando com isso. Infelizmente as pessoas não gostam daquilo que não conhecem, música erudita, por exemplo. Elas escutam o forró de plástico, porque não conhecem algo melhor, não tem outra opção.
Coletiva: O que pode ser feito, como jornalista, para transformar este cenário?
Rui Dantas: Não se deve pensar como jornalista, mas como cidadão. Todos nós somos jornalistas em potencial, formadores de opinião em potencial. As redes sociais trouxeram isso. Todos têm acesso à informação e se tornam emissores. Eu, você, a empregada doméstica, o professor, o advogado, todos nós podemos produzir mudança. Agora, geralmente, como em toda revolução, o processo é lento. Tem que ser pensado primeiro, para depois podermos melhorar.
Coletiva: Como gestor de imagem, como é possível transformar uma imagem negativa e generalizada (“todo político é corrupto”) em algo positivo, diante de uma mídia que produz notícias por encomenda, muitas vezes sem provas?
Rui Dantas: Toda esta batalha, da disputa eleitoral, é travada no inconsciente coletivo, na mente das pessoas. Qual é o segredo? Eu costumo dizer que quem faz uma gestão de imagem muito boa é a mulher. Se ela é bonita e a perna é bonita ela expõe, se não é tão bonita assim ela encobre. A mesma coisa é com o político. Como a batalha é travada na cabeça do eleitor, você diminui a exposição de temas que não sejam tão interessantes e amplia aquilo que é interessante, que é bom. É tudo uma questão de estratégia.
Coletiva: Qual o maior desafio para a publicidade política, nesta transição do palanque às redes sociais, onde tudo é móvel, e o acesso à informação está cada vez mais fácil?
Rui Dantas: O desafio? O maior desafio é estar atento para tantas plataformas, ter o discernimento para saber qual a plataforma que deve ser utilizada, em que nível, e de que forma. Este é o grande segredo. Ora você vai precisar das redes sociais, ora da comunicação via assessoria de imprensa, ora do contato com o povo. Um candidato que tem falta de conhecimento da opinião pública, candidato novo, ele tem de estar em todas as plataformas. Tudo isto é interligado. Por exemplo, um candidato que está sendo investigado, diante de um escândalo, ele não deve recorrer à coletiva de imprensa, é um erro crasso. Ele deve usar outra plataforma, uma nota, ou no Twitter, ou um vídeo em um canal do Youtube. Depende muito da circunstância. Infelizmente vivemos na era do escândalo. Vale citar aqui um ditado de nossas avós: “Em boca fechada não entra mosca”. Quanto mais se analisar caso a caso, menos serão os erros.