Por Evandro Pereira/ Edição: Renato Fragoso.
Em Pleno ano do Centenário de Luiz Gonzaga, a cidade do Maior São João do Mundo e a UEPB acolheram na noite de quarta-feira (6), a XV Conferência Brasileira de Folkcomunicação com a temática Festas juninas na era digital: Da roça à rede. O Teatro Municipal Severino Cabral foi o palco da Solenidade de Abertura com apresentações folclóricas, homenagens e discussões teóricas.
A Conferência Brasileira de Folkcomunicação, conhecida como FolkCom, é um evento que reúne pesquisadores, profissionais, estudantes e pessoas interessadas em processos comunicacionais para discutir a natureza das festividades populares.
Na abertura oficial, vários grupos culturais da região reunidos numa só apresentação proporcionaram ao público ritmos genuinamente nordestinos como o xaxado e baião, criados por Luiz Gonzaga. Em seguida o professor doutor Luiz Custódio da Silva, do Departamento de Comunicação, foi homenageado com a exibição de vídeos sobre sua trajetória de vida. E, inspirado na titulação de Luiz Gonzaga, foi coroado simbolicamente com gibão e chapéu, o Rei da Folkcomunicação.
A temática Raízes ibéricas das festas juninas; São João na Galícia, Espanha e Portugal entrou em debate na mesa redonda da noite de abertura. Participaram os palestrantes Alberto Pena Rodríguez (UV Espanha), Carlos Nogueira (IELT/UNL Portugal), Eneida Maracajá (PMCG), Luiz Humberto Marcos (ISMAI/MNI, Portugal), Lucília José Justino (UNL, Portugal) e Osvaldo Meira Trigueiro (UFPB). A mediada Maria Érica de Oliveira (UFRN), dividiu em dois blocos as exposição de suas pesquisas teóricas.
O evento segue até sexta-feira (8) com mesas-redondas, oficinas, painéis e grupos de trabalhos.
Cultura popular nordestina na rede de comunicação, “tá danado de bom”
Em 2012, nada melhor que refletir as formas de expressões da cultura nordestina em plenas comemorações do centenário de Luiz Gonzaga da Silva, conhecido também como “O Rei do Baião”.
Luiz Gonzaga soube, com maestria, disseminar a cultura do interior do nordeste nas demais regiões brasileiras através de seu talento de pouca valorização na época – a música de forró. Segundo a paraibana Magna Adriana, assistente social do Creas Pernambuco, “as músicas de Luiz Gonzaga surtem efeitos positivos nas atividades grupais com todas as gerações: jovens, adultos e idosos, pois ela valoriza a questão da autoestima e do legado nordestino”.
A Feira de Caruaru, A Triste Partida, Asa Branca e Boiadeiro, são exemplos de inesquecíveis canções antológicas que deram visibilidade ao nordeste - culturalmente rico, mas econômica e politicamente pobre. Imaginemos na atual conjuntura: o que pode ser feito através dos diversos recursos que a rede social pode oferecer?
Já são percebidos em sites de relacionamentos, textos, fotografias e vídeos que expressam a diversidade da cultura popular nordestina. “A internet é maravilhosa para nós que moramos longe da terrinha, pois dá para acompanhar os acontecimentos e matar um pouco a saudade, como, também, para nossos amigos e familiares que ainda não conhecem nossas raízes, é uma oportunidade ímpar deles também desfrutarem”. Informou o nordestino Michel, gerente em uma churrascaria no Vietnã.
As dramáticas relações sociais da história que isolou o interior do Nordeste em um mundo coronelista desumano e a estigmatização de sua gente como incapaz de acompanhar a mutação cultural não foram suficientes para impedir a propagação das produções culturais. Assim como qualquer brasileiro, o nordestino pode encontrar na internet, além do potencial para divulgar o turismo local – natural ou cultural, um potencial para divulgar seu modo de ser, pensar e agir.
